Famílias seguem em saga por oxigênio no pior dia da pandemia em Manaus

"Dois amigos me procuraram quando faltou oxigênio nos hospitais de Manaus. Eu me sinto muito mal, minha cabeça dói, a culpa é grande, estou destruído mentalmente. Não pude ajudar. O pai de um morreu, não aguentou 30 minutos sem oxigênio."

 

 

O professor de educação física Daniel Lima tem feito malabarismos para garantir que um único cilindro de oxigênio possa ser utilizado por seu pai e seu padrasto em casas diferentes. O desespero é compartilhado por incontáveis amazonenses desde que o sistema de saúde de Manaus entrou em colapso. O oxigênio se esgotou há exatamente uma semana.

Pacientes foram transferidos a outros estados e cilindros foram importados da Venezuela. Pela cidade, as empresas que comercializam o insumo viraram local de peregrinação de familiares atrás do insumo que falta na rede pública.

Na última semana, mais de 18 pessoas morreram asfixiadas em três cidades amazonenses, conforme governos locais e o Ministério Público. O número sobe para cerca de 35 de acordo com balanços extraoficiais.

As outras mortes por asfixia no interior foram em Manacapuru (7), segundo o MP, e Itacoatiara (4), onde o governo do estado sugeriu na semana passada abrir valas diante da impossibilidade de suprir rapidamente os estoques de oxigênio. Em Manaus, não há dados oficiais.

             "Procurei oxigênio para doação, mas a maioria é para venda e os preços estão lá em cima."

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De cidades na região metropolitana de Manaus, partem diariamente e em intervalos regulares carros com cilindros vazios.

Com destino a Manaus, tentam na capital conseguir o insumo para manter vivos os pacientes dos municípios, boa parte sem UTIs (Unidades de Terapia Intensiva)

Em Coari, a 362 quilômetros de Manaus, foram confirmados sete óbitos de domingo para segunda por falta de oxigênio no hospital regional. A prefeitura da cidade acusou o estado de reter 200 cilindros.

Fila sem distanciamento está formada na porta da única empresa em Manaus que vendendo oxigênio a pessoas que têm familiares acamados.

A gente está tentando entender o que aconteceu. Isso é objeto de uma investigação específica.

21/01/2021 03h00